quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Texto : Lygia Clark

Sonho: Minha cara era lisa, sem arquitetura, sem relevo, sem cavidade.

 
Percebo um ponto no lugar de um olho - possibilidade de recompô-la por mim mesma, desenhando-a.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

fios soltos 004

Quando o pássaro piar,
dê três passos em direção ao infinito,
abra os braços e
espere pelo encontro com aquilo que você deseja.



sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Filósofo ou criança? Artista!

 
(...) a única coisa que precisamos para nos tornarmos bons filósofos é a capacidade de nos admirarmos com as coisas.
Todo mundo sabe que os bebês possuem essa capacidade. Depois de alguns meses na barriga da mãe, eles são empurrados para uma realidade completamente diferente. Mas depois, quando crescem, parece que essa capacidade vai desaparecendo. Como se explica isto?
Vamos ver, se um bebezinho pudesse falar, na certa ele diria alguma coisa sobre o  novo e estranho mundo a que chegou. Pois apesar da criança não saber falar, podemos ver como ela olha ao seu redor e quer tocar com curiosidade todos os objetos que vê.
Quando vem as primeiras palavras, a criança para e diz "Au! Au!" toda vez que vê um cachorro.
Para nós que já deixamos para trás alguns anos de nossas vidas, o entusiasmo da criança pode até parecer um tanto exagerado. "Sim, sim é um au-au, dizemos nós os "vividos". mas agora fique quietinho." Não ficamos muito entusiasmados, pois já vimos outros cachorros antes.
Esta cena insólita talvez se repita por algumas centenas de vezes, até que a crainça passe por um cachorro, ou um elefante, ou por um hipopótamo sem ficar fora de si.
Mas muito antes da criança aprender a falar corretamente - ou muito antes de ela aprender a pensar filosóficamente - , ela já se habituou com o mundo.
 Ao que tudo indica, ao longo da nossa infância nós perdemosa capacidade de nos admirarmos com as coisas do mundo.  Mas com isso perdemos uma coisa essencial - algo de que os filósofos querem nos lembrar. Pois em algum lugar dentro de nós, alguma coisa nos diz que a vida é um enigma. e que já experimentamos isto, muito antes de aprendermos a pensar.
Para aas crianças, o mundo- e tudo o que há nele- é uma coisa nova;algo que desperta a admiração. Nem todos os adultos vêem a coisa desta forma. A maioria deles vivência o mundo como uma coisa absolutamente normal.
Os filósofos e as crianças têm, portanto, uma importante característica em comum. Podemos dizer que um filósofo permanece a sua vida toda tão receptivo e sensível às coisas quanto um bebê.(...) se você balança a cabeça e não se sente nem como criança, nem como filósofa, a explicação para isto é que você já se acostumou tanto com o mundo que não consegue mais se surpreender. Neste caso, você corre perigo.
Vamos resumir: um coelho branco é tirado de dentro de uma cartola. E porque se trata de um coelho muito grande, essse truque leva bilhões de anos pra acontecer. Todas as crianças nascem bem na ponta dos finos pêlos dos coelhos. Por isso elas conseguem se encantar com a impossibilidade do número de mágica a que assistem. Mas conforme vão envelhecendo elas vão se arrastando cada vez mais para o interior da pelagem do coelho. E ficam lá. Lá embaixo é tão confortável que elas não ousam mais subir até a ponta dos finos pêlos, lá em cima. Só os filósofos têm ousadia para se lançar nesta jornada rumo aos limites da linguagem e da existência.
Alguns deles não chegam a concluí-la, mas outros se agarram com força aos pêlos do coelho e berram para as pessoas que estão lá embaixo, no conforto da pelagem, enchendo a barriga de comida e bebida:
 -Senhoras e senhores - gritam eles-, estamos flutuando no espaço!
Mas nenhuma das pessoas lá de baixo se interessa pela gritaria dos filósofos.
- Deus do céu! Que caras mais barulhentos! - elas dizem. E continuam a conversar: será que você poderia me passar a manteiga? Qual a cotação das ações hoje? Qual o preço do tomate? (...)

(trechos extraidos do livro O mundo de Sofia de Jostein Gaarder)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

OCOrrência - vídeo

Este vídeo é resultado da minha minha participação no projeto Nutaan 2012, realizado na sede da Taanteatro Companhia durante o mês de abril de 2012.
 
 
 
                                                     https://vimeo.com/50948653



sexta-feira, 22 de junho de 2012

segunda-feira, 28 de maio de 2012

OCOrrência

Fotos - Wolfgang Pannek e Maura Baiocchi
 
Habitar os espaços OCOS do corpo, e a dimensão de vida e morte, na busca pela dissolução dos padrões cotidianos.
 
 
 
 
 
 
 
 

sábado, 21 de maio de 2011

Disk P para Performance - Episódio 1 "Com a Boca Aberta"




:: Uma rádio http://diskperformance.podomatic.com
:: Domicílio + performances = barulhinhos A/C da rádio

Reminiscências

:: O evento tem como livre inspiração o trabalho realizado
pela artista Cláudia Müller http://www.claudiamuller.com , que
consiste na ação de entregar dança em domicílio. O registro
audiovisual do trabalho artístico da artista encontra-se sob o
título “Fora de Campo” (disponível no acervo do Itaú Cultural) .

Pretende-se também através desse evento,o estreitamento das
relações com as iniciativas independentes , já realizadas em outras
cidades do país... para citar uma em “ponto de encontro
domiciliar”,deve-se mencionar a mostra “Festival de Apartamento”...
“um misto de mostra e festa que se manifesta cada vez que surge
uma casa para abrigá-la”.http://festivaldeapartamento.blogspot.com,
cuja organização está sob a incumbência de Ludmila Castanheira,
Rodrigo Emanoel Fernandes e Thaíse Nardim.

Freqüências sintonizadas :
: Dial SP: Joanna Barros ,Lilian Soarez , Opera Vlu, Veveled
(amor experimental e a araramboiadefogo)

:: Dial RJ: (13 Numa Noite) Ade Evaristo, Ana Klaus, Luane Aires ,
Luiza Xavier, Marcela Antunes, Roberto Precioso, Chuva de Nanquim e
Atelier da Marcela

Domicílios

São Paulo: 21 de maio (17h00) R.Mesquita,145 Cambuci
+ inf: amorexperimental@yahoo.com.br

Rio de Janeiro: 21 de maio (17h00) Atelier da Marcela Sta.Tereza
Casa da Chuva de Nanquim (Vila Isabel)
+ inf: trezenumanoite@gmail.com

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Spectrum


Estarei me apresentando no evento Spectrum com a performance Dermatoglifia,
no dia 13 de fevereiro de 2011 ás 19hs30.
Teatro cacilda Becker, 295 - Lapa


Programação Performances

Dia 08/02 (terça-feira)

Daniel Fagundes - A maldição de Ford
Ana Godoy e Ale Galasso - Cena 178. Exterior. Mar aberto.
Odé Amorim - Corpo IN/OR Ganico
Orquestra Descarrego - Descarrego no CB

Dia 09/02 (quarta-feira)

Loop B - Objetos Animados
Marko Concá – Pairar
Joanna Barros e Renata Huber - "Você tem medo de onde? ou Para cordas e oboés"
Daniel Fagundes – Sadomusiquismo

Dia 10/02(quinta-feira)

Núcleo In_Táctil e convidados

Artur Matuck e Vanderlei Lucentini – Sippereo Report
Bernadeth Alves e Vanderlei Lucentini - Instante
Núcleo In_Táctil - 0Opera
Josefa Pereira e Vanderlei Lucentini - Er(r)os e Psiquê
Anabel Andres e Vanderlei Lucentini - Credo In US

Dia 11/02 (sexta-feira)

Wilton Azevedo - 48.000 EletroAcaustica Hz # 1.0
Tatari Gami (Muse from Hell & Helldrigo 358) Entradas e Pain Taste
AnjoCorporation - Sexo, iPhone e Violoncello sob a luz
Felipe Ribeiro (Oefro) – Palco

Dia 12/02 (sábado)

Grasiele Souza e Rodolfo Coelho de Souza - O que acontece debaixo da cama quando Janis está dormindo
Wellington Duarte, Vanderlei Lucentini e João Silvério Trevisan - Corpo Místico
Conrado Silva - música para 10 rádios portáteis
Teatro Parabelo - Jaraguá - Senhora das Utopias

Dia 13/02 (domingo)

Amor Experimental - Volume 1
Lilian Soarez - Dermatoglifia
Bruna Freitag - Como consertar o corpo
Camerata Vila Nova - Vexations

Programação Círculo de Debates

Círculo de Debates 1

Encontro com os Performers
Mediação: André Domingues
Dia 10/02(quinta-feira), 18 horas

Círculo de Debates 2

Encontro com os Performers
Mediação: André Domingues
Dia 11/02(sexta-feira), 18 horas


Teatro Cacilda Becker
Rua Tito, 295 - Lapa/SP
Fone: (11) 3864-4513
Horários Performance: terça a sábado, 21 horas e domingo 19h30.
Círculo de Debates: quinta e sexta, 18 horas.
Entrada Franca

Dermatoglifia

Mãos... ponte entre os dois mundos.

Linhas finas revelam as marcas do passado ancestral.

O tempo se dilui e o momento presente nos revela a travessia pelo mundo dos mortos.

Podemos apagar as pegadas, mas será que o chão esquece o registro dos passos?




A performance Dermatoglifia é inspirada no trabalho da artista plástica Beth Moysés, e foi apresentada pela primeira vez no Cine Galpão no evento Perfor 1 em novembro de 2010.

Através desse exercício performático Lilian Soarez investiga a questão da presença física e das mudanças de estados energéticos que permeiam o corpo do performer, o ambiente em que esta inserido e sua relação com o público; criando a partir da imagem do corpo no espaço, uma composição poética que fala sobre as marcas que constituem a nossa história de vida, tanto no plano real, quanto no plano ancestral.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Perfor1 2010


Vou participar do Perfor1 2010 (fórum de performance).

Apresentarei DERMATOGLIFIA, performance inspirada no trabalho da artista plástica Beth Moyses.

Dia 16/11/2010 - 20h

Local: Cine Galpão

Rua Scipião, 138- Lapa

Grátis!


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Eu não vou perturbar a paz

Foto: Patrícia Marioli

Se eu me sentasse ao seu lado
Saberia dos seus mistérios
Ouviria até a sua respiração leve.
Se eu me sentasse ao seu lado...
(Manuel de Barros)



Rito de Passagem

O texto e as fotos abaixo, fazem parte do meu processo de criação para o espetáculo Rit.U realizado pela Taanteatro Companhia no projeto NUTAAN 2010 comtemplado pela Lei de Fomento a Dança de Estado de SP
Fotos: Wolfgang Pannek, Valter Felipe e Renô

Em minhas veias correm o sangue dos meus antepassados...
Quantas vidas tive?
Deito-me em suas raizes e encontro-me com as minhas, a terra me acolhe, e em seus braços sou embalada num sono leve; o corpo relaxa mas a mente teima em continuar desperta; ouço passos sobre as folhas secas, é hora de acordar!
Já em pé, base plantada no chão como as grandes raizes da árvore ancestral, sinto o calor de um fino raio de sol que atravessa as folhas e ilumina o meu rosto.
Zerar...
A serpente adormecida desperta envolvendo o meu corpo com sua vibração, mergulho em ondas de seiva e caminho lentamente sentindo a densidade do ar, medo e apreensão sinalizam o que esta por vir.
Danço minhas lembranças soturnas, sou lançada ao chão pelo peso insusentável das palavras, o abraço apertado e asfixiante me traz a consciência da aproximação da morte, ouço o som de um sino enquanto o corpo lento da lesma é dissolvido pelo sal das memórias.
A poeira salgada entra pelos pelos poros entupindo todos os buracos. Já não vejo e não ouço, falta saliva pra concluir o grito, o corpo se debate, luta contra a morte, estou seca , por dentro e por fora - é preciso morrer!
O corpo físico vivência sua morte simbólica e é sustentado pelo chão, enquanto o corpo de sensações dança no espaço a plenitude do vazio. O limite do eu é o univeso.
Ao longe, um canto doce anuncia a passagem da morte para a vida. O pó da raiz branca que alimentava os índios é peneirado sobre a pele, o som do tambor atravessa a carne reavivando as batidas do coração, meu corpo -(em) branco- se movimenta lentamente em contato com a vida.
Respiro.
Renasço.
Revivo.
Danço a força que me ergue.
Corpo ereto, olhos, bocas, sorrisos; a cantoria não cessa e embala meus ossos em movimentos contínuos, tenho fome de vida, mastigo pedaços de vísceras ao mesmo tempo que chupo as tetas da vaca profana . A boca vermelha sangra de vontade , mostra os dentes sujos e sorri para a menina morta.
A deusa obscena rasga a carne e borda na alma as letras escolhidas para compor o nome, costura em vermelho o tecido branco que me liga ao o umbigo do mundo, riso e gozo.
Tenho que parir a mim mesma, a moira sedenta segura em sua mão a faca afiada, sou forte para suportar a dor de ser expelida, estou pronta para nascer- abandonar o transitório e revelar o verdadeiro.
Assumo o meu nome, nome de poder, danço sua pureza e delicadeza no grau máximo de sua força, dou passagem à mulher que chega de peito aberto para receber a potência da vida e buscar o desconhecido.
O nome de batismo é celebrado em roda até que as pernas possam correr em direção a realidade, corro segurando a mão paterna, observo os carros que passam na rua barulhenta, sinto que o corpo do outro é a extensão do meu próprio corpo, sou parte do todo ... Danço a vida que se renova em mim a cada repiração.












sábado, 6 de novembro de 2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Gesamtkunstwerk

Performance realizada na abertura da exposição "Gesamtkunstwerk"- no dia 27 de março de 2009 no Ateliê do Centro de Rubes Espírito Santo.

Ação: Esperar (pacientemente) instalada dentro de uma geladeira o derretimento de um enorme cubo de gelo.

Fotos: Daniel Cunha


"É que tudo que eu tenho não se pode dar. Eu mesma posso morrer de sede diante de mim. A solidaão está misturada a minha essência...

(...) porque os últimos cubos de gelo haviam-se derretido e agora ela era tristemente uma mulher feliz."


(CLarice Lispector- Perto do Coração Selvagem)












GESAMTKUNSTWERK